domingo, 9 de dezembro de 2007

Recordar o Manel

Manuel Ferreira, de seu nome completo, nasceu no «berço da nacionalidade» em 27 de Julho de 1935 e deixou-nos em 9 de Dezembro de 1998.
Para nós era o Manel, o aluno n.º 44 da turma A2. Era o camarada simples, educado, prestável e sempre bem disposto, – o amigo que se gosta de ter!
Para além da permanência em Águeda, sempre na mesma turma, partilhámos, mais tarde, a mesma unidade de colocação durante alguns anos, ali confirmando a opinião que dele trouxéramos do Curso e sedimentando, mais ainda, a nossa camaradagem e amizade.
No dia em que passa mais um ano sobre a data da sua morte, a nossa sentida homenagem ao Manel – um amigo que deixou saudades!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pedaços da nossa vida – A Automotora


A vida do aluno do ISM era dramaticamente intensa e trabalhosa, se tivermos em conta que a nossa média etária andava pelos quarenta anos, já caldeados por duas, três ou mais comissões no Ultramar, cada uma com pelo menos dois anos.
Esta vinda para Águeda, se bem que há muito esperada por todos, era mais outra comissão, com um cariz bem diferente, é certo, mas que também implicava uma dolorosa separação da família. Os fins-de-semana eram ansiosamente aguardados: tal como vinte anos antes, quando éramos jovens recrutas e metíamos a célebre «dispensa de formaturas», para podermos ir à terra, ver os pais e as namoradas.
Alguns minutos após o final da última aula de sexta-feira, aí íamos nós direitos à estação, para apanharmos a automotora que fazia o ramal de Águeda para Aveiro. Aqui já nos dispersávamos, tomando os comboios para os nossos destinos, quer para norte quer para sul, mas aquela meia-hora em que viajávamos juntos (e às vezes apinhados) era muito descontraída e alegre, sobretudo quando calhava a vir a automotora mais velhinha, de cor azul, sobre a qual um certo revisor nos disse ser uma «máquina sempre pronta a andar, apesar de ser da vossa idade ou mais velha do que os senhores».


Na imagem: Automotora ME 51-53 (1940/1), com motor Chevrolet, construída nas Oficinas do Vale do Vouga nos anos de 1940 e 1941. Lotação: 10 lugares de 1.ª classe, 15 de 2.ª classe e 5 de pé (Museu da CP – Espaço Museológico de Macinhata do Vouga).

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Recordar é Viver!

Foi nesta linda e medieval Vila de Óbidos que, em 09/06/91, teve lugar na Estalagem "Josefa d`Óbidos", o último convívio conjunto com todos os Cursos do ISM que participaram na contestação ao sistema de promoções e que, felizmente, conseguimos que fosse reposta a justiça emergente. Foram seus promotores os Cap. Correia, Goulart ( e a minha modesta colaboração).
Para alem de relembrar o evento, quero expressar algumas palavras ao nosso camarada Barrisco pelo seu empenho e mestria em que se empenhou durante bastante tempo, na orquestração da Banda Filarmónica de Óbidos, com Sede na "Casa da Música"---- no interior do Castelo.
Muitas vezes encontrei o Barrisco com a sua inseparável "Pasta", possivelmente cheia de pautas, a caminho de Óbidos! Sempre com o seu sorriso
afável que não conseguia dissimular, aliado a uma transparente simpatia! O tempo, inexoravelmente vai exercendo em nós, as suas indeléveis marcas, mas não conseguirá nunca remover a impressão com que as pessoas nos vão marcando! O nosso Maestro foi um deles. Um abraço Barrisco.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Pedaços da nossa vida – O aluno único


O título faz lembrar a célebre «entrevista única» da não menos célebre locutora «Insónia Portugal», da conhecida dupla de cómicos Luís Guilherme e Luís Aleluia.
De facto, o simpático camarada Manuel Joaquim Barrisco era um aluno único: era único no Curso D – Bandas e Fanfarras; era único na turma única do referido curso. Barrisco era ainda o único aluno do ISM especializado em Música – única disciplina que não pôde frequentar no ISM, por não existir um único professor para lha ministrar.
Para além desta situação única, Manuel Joaquim Barrisco irradiava uma simpatia e uma disposição únicas, unicamente afectadas pelos testes de Material, única disciplina capaz de despertar nele uma veia poética única, com a qual escreveria, no Livro de Finalistas, a única letra sem música da sua carreira única.

De toda a matéria dada,
Há uma que, por sinal,
Podia ser reduzida:
O maldito Material.

Em sua substituição,
A Música eu poria.
Talvez p’ra muitos estômagos
Fosse remédio p’rá azia...

Aqui deixo um grande abraço ao Barrisco.
... E não serei o único!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Recordar o Miranda

Foi no dia 24-10-89 que o nosso camarada António Miranda Pereira da Silva, deixou o nosso convívio! Nunca é tarde para recordar os amigos e camaradas. Estou certo de exprimir o sentimento de todos os ex-alunos do 1º Curso do ISM.... que se traduz pelo sentimento da perda de um grande amigo e companheiro!
Em nome do autor destas breves linhas, apenas te tenho de dizer meu Caro Miranda...... a última vez que estivemos juntos... eras tu o ilustre Capitão chefe da Secretaria do QG/RMN. Acolheste-me de braços abertos como só os grandes homens e bons amigos, o sabem fazer! Nunca o esquecerei! Que Deus te tenha acolhido de acordo com o teu merecimento terrestre. Cito uns versos que a ti te foram dedicados:

" E agora de regresso ao doce lar
Aceita esta amizade sem favor.
P`ra mim o privilégio foi:--privar
Com quem da integridade fez pendor.

Se ao Porto for(ver a Banda)
Em Gaia estarei, Miranda.
Com o mais que for preciso,
Um abraço do
Narciso "


Confraternizar

Não tendo sido possível a fotografia de Grupo, fica esta para relembrar o magnífico evento que teve lugar em 08Mai2004, no Parque das Nações, entre ex-alunos do 1º Curso do ISM e alguns dos seus familiares, tendo sido seus promotores, os camaradas Calamote e Fonseca. Foi uma tarde vivida com muita alegria, amena cavaqueira e óptimo repasto, lamentando-se apenas a ausência dos camaradas falecidos e de outros que, devido a motivos particulares, alí não puderam comparecer! Que estas iniciativas se vão perpetuando no tempo e que os seus componentes se façam comparecer afim de se manter viva a chama da confraternização e amizade pessoais.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pedaços da nossa vida – A «Messe do Firmino»


A Messe do Firmino era o nosso principal local de culto do ISM. Diríamos, mesmo, o nosso santuário, pois era o único refúgio onde se não estudava, onde se não tinham aulas e onde se não faziam testes. Ali tínhamos, sim, magnas reuniões três vezes ao dia – pequeno almoço, almoço e jantar –, sempre cumpridas com a maior elevação, porém algumas vezes sem grandes resultados para o estômago.
Na Messe do Firmino abordavam-se os mais variados e candentes assuntos: dizia-se mal dos mestres, das fotocópias, das «secas» ao aluno-de-dia, do tempo de Águeda e, pontualmente, também da comida. Dizer bem de alguma coisa não me lembro, mas admito que tenha acontecido: há gente capaz de tudo.
De vez em quando também havia algum mais «marrão» que ia falar das aulas para um lugar daquela categoria, mas havia logo quem silenciasse o inconveniente infiltrado.
Especialmente agradáveis eram os momentos de espera à abertura da porta, em que a malta, enquanto gozava os escassos momentos de liberdade e o raro soalheiro, vivia a sempre adiada expectativa de uma refeição «cinco estrelas».
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O cartoon – ligeiramente adaptado – é do Álvaro Matos, do Curso B – Onde é que andas, companheiro?! –, e consta do Livro de Finalistas do 1.º Curso do ISM.