domingo, 13 de janeiro de 2008

Conheciam o Eurico?

A que propósito vem hoje uma crónica sobre este nosso muito estimado camarada e particular amigo, de seu nome Eurico Romeu Teixeira Pereira, credor, como poucos, da mais irradiante simpatia por parte de todas as gentes do 1.º Curso do ISM?
Todos sabemos muito bem que, para além dos créditos já sublinhados, o Eurico era aquele estatístico diligente e virtuoso, que trazia o pessoal permanentemente informado dos programas e dos testes, das matérias prováveis, improváveis e de ignorar, bem como das tendências de progressão na carreira...
Eurico ainda não usava o digital, mas posso assegurar-vos de que os seu métodos eram de uma fiabilidade imaculada, as previsões quase certezas e os cruzamentos de dados uma banalidade nos seus cálculos. Não fora ele o nosso Instituto Nacional de Estatística e viríamos todos muito mais confusos e baralhados do que viemos.
Mas o assunto é outro.
Encontrei nos meus papéis velhos dois recortes que dizem respeito ao nosso homem. Um deles data da época de a.C., isto é, de antes do Curso; o outro é menos antigo, é de d.C., ou seja, de depois do Curso.
Então é assim:
1 . Publicou o Jornal do Exército n.º 105, de Setembro de 1968, uma interessante reportagem sobre a criação, na EPC, em Santarém, de um programa de rádio que servisse objectivos de carácter recreativo e de específica divulgação militar. A iniciativa foi apadrinhada pela Radio Ribatejo (RR). Inicialmente com a duração de meia-hora de quinze em quinze dias, a RR, em função do êxito alcançado, acabaria por integrar o «Momento Militar» – era assim chamada a rubrica – na sua programação.
E quem foi um dos seus responsáveis, e também seu locutor? Foi o nosso Eurico, que vemos na foto com a colaboradora Eva, pseudónimo da fadista ribatejana Maria Fernanda Rodrigues.
2 . Também a página 61 da revista do INATEL, Tempos Livres, de Fevereiro de 1994, preenche a sua secção de coleccionismo com outra das facetas (por nós desconhecidas) de Eurico. Soubemos aqui da sua paixão pelas colecções. Chávenas de café, selos, postais, moedas, medalhas, outros objectos de menor relevância e...
mochos!!! Diz a revista:
«Tudo começou em 1977 quando frequentava o Instituto Superior Militar (ISM), disse-nos o Major Eurico Romeu Teixeira Pereira, o coleccionador eleito deste mês. A temática da sua colecção é curiosa: Mochos!
[...] Actualmente possui 315 peças, nacionais e estrangeiras, do México, Equador, Peru, Brasil, Espanha, França e Alemanha, todas provenientes de ofertas de amigos quando se deslocam ao estrangeiro».

Já lá vão quase catorze anos sobre esta notícia, e o Eurico, que na outra imagem posa junto dos seus 315 exemplares, deve com certeza ter hoje muitos mais representações dos simpáticos símbolos do «saber para vencer» – divisa do nosso saudoso ISM.
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Então?! Vocês conheciam o Eurico?
Um grande abraço, caro amigo.



quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A vitória foi nossa


Estes rapazes que aqui vêem após um esforçado desafio realizado no campo de jogos da parada do ex-Depósito Geral de Adidos, então Centro de Instrução do Batalhão do Serviço Geral do Exército, acabaram de conquistar a valiosa taça que está à vista (se não se vê bem, podem clicar na foto, que ela aumenta).
São rapazes do 1.º Curso do ISM, que ali frequentavam o Curso de Promoção a Capitão. Aliás com minguadas esperanças de promoção, visto que o Estatuto havia acabado com a diuturnidade que então vigorava.
Gente de lutas – andou lá treze longos anos...– teria que cerrar fileiras e tentar repor a situação que lhe fora vedada. Seria preciso recorrer à via judicial, mas o grande espírito de corpo, que começaria por ser apanágio do 1.º Curso do ISM, passou aos seguintes e a vitória foi nossa.
Tal como nesta foto, de Maio de 1983.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Aprender com a Poesia

(Dedicado aos que poderiam dar – e não dão – colaboração a este blogue)

Os rapazes do meu tempo

Os rapazes do meu tempo morreram todos,
Só que alguns ainda não sabem...
Quando eram novos, tinham como eu o vezo de arrasar o Mundo.
Mas tinham tanta pressa de crescer
Que ultrapassaram tudo. Adiaram tudo,
Principalmente o gosto de mudar a vida....

E agora andam por ai à espera da caridade
De um coveiro que lhes acomode os ossos.
Os rapazes do meu tempo,
Os rapazes de todos os tempos morreram cedo.
Puseram tanta força em ser adultos,
Que não aguentaram o peso da idade...

Por tudo isto é que eu
Sempre me recusei a crescer!

Escrito a 5-2-1982 por António Monginho
In: http://alentejanando.weblog.com.pt/arquivo/095862.html

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Apanhados do 1.º Curso do ISM



O João Carlos esqueceu-se da gravata; o Heitor não...

sábado, 15 de dezembro de 2007

BOM NATAL/2007-PRÓSPERO ANO NOVO/2008


Deseja, o Coelho, muito cordialmente, a todos os ilustres condiscípulos e suas Exmas.Famílias.

Conto com todos no dia 24 de Maio de 2008, no próximo encontro e Almoço-Convívio, aqui em VILAR FORMOSO.
Muito em breve difundirei a formalização do convite.

Um abraço.

ACC

domingo, 9 de dezembro de 2007

Recordar o Manel

Manuel Ferreira, de seu nome completo, nasceu no «berço da nacionalidade» em 27 de Julho de 1935 e deixou-nos em 9 de Dezembro de 1998.
Para nós era o Manel, o aluno n.º 44 da turma A2. Era o camarada simples, educado, prestável e sempre bem disposto, – o amigo que se gosta de ter!
Para além da permanência em Águeda, sempre na mesma turma, partilhámos, mais tarde, a mesma unidade de colocação durante alguns anos, ali confirmando a opinião que dele trouxéramos do Curso e sedimentando, mais ainda, a nossa camaradagem e amizade.
No dia em que passa mais um ano sobre a data da sua morte, a nossa sentida homenagem ao Manel – um amigo que deixou saudades!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pedaços da nossa vida – A Automotora


A vida do aluno do ISM era dramaticamente intensa e trabalhosa, se tivermos em conta que a nossa média etária andava pelos quarenta anos, já caldeados por duas, três ou mais comissões no Ultramar, cada uma com pelo menos dois anos.
Esta vinda para Águeda, se bem que há muito esperada por todos, era mais outra comissão, com um cariz bem diferente, é certo, mas que também implicava uma dolorosa separação da família. Os fins-de-semana eram ansiosamente aguardados: tal como vinte anos antes, quando éramos jovens recrutas e metíamos a célebre «dispensa de formaturas», para podermos ir à terra, ver os pais e as namoradas.
Alguns minutos após o final da última aula de sexta-feira, aí íamos nós direitos à estação, para apanharmos a automotora que fazia o ramal de Águeda para Aveiro. Aqui já nos dispersávamos, tomando os comboios para os nossos destinos, quer para norte quer para sul, mas aquela meia-hora em que viajávamos juntos (e às vezes apinhados) era muito descontraída e alegre, sobretudo quando calhava a vir a automotora mais velhinha, de cor azul, sobre a qual um certo revisor nos disse ser uma «máquina sempre pronta a andar, apesar de ser da vossa idade ou mais velha do que os senhores».


Na imagem: Automotora ME 51-53 (1940/1), com motor Chevrolet, construída nas Oficinas do Vale do Vouga nos anos de 1940 e 1941. Lotação: 10 lugares de 1.ª classe, 15 de 2.ª classe e 5 de pé (Museu da CP – Espaço Museológico de Macinhata do Vouga).